sexta-feira, 3 de julho de 2009

Presépio de Dona Elvira

Dona Elvira guardava tudo que via para seu presépio. Ela começava prepara-lo três meses antes da data prevista. As montanhas eram feitas de sacos de papel, pinceladas com goma preta e peneirada com areia grossa, ao mesmo tempo, eram plantadas os vasos de arroz. Me lembro do presépio pronto, nele haviam muitas peças de gesso e cerâmica que simbolizavam o nascimento de Jesus. Também, havia carrinhos de plásticos, pequenos aviões, aqueles que vinham nas caixinhas de surpresa e, até patinho de borracha que serve para criança morder. Devido a tantos adornos, ele ocupava uma parede inteira. Mas o que me impressionava mais, eram as frutas frescas distribuídas por todo presépio. Na condição de criança na época, eu ficava sem entender o significado daquilo. Das frutas que me chamava atenção era o enorme cacho de uvas, portanto, dava uma vontade enorme de provar, mas ninguém oferecia. Minha irmã se interessou pelo tablete de goiabada vermelha, pois, em casa havia um queijo esperando na mesa. A frustração se misturava com sentimento de culpa, afinal, tudo aquilo foi doado para o santo. Mas, como uma criança pode entender uma questão desta? Todo cacho de uvas que vejo, me faz voltar ao presépio de Dona Elvira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário